Blog de poesias próprias (protegidas pelos direitos autorais) e de autores clássicos
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domingo, 6 de novembro de 2016
Lançamento, pela Editora Novo Século, do livro “Da eloquência das lápides e outros poemas”, de Paulo Ouricuri
Por que poesia? Cecília Meireles responde em versos: “Mas a vida, a vida, a vida,/ a vida só é possível/reinventada”.
O livro de poemas “Da eloquência das lápides e outros poemas”, novo lançamento da Editora Novo Século, foi dividido em três capítulos. Três esferas que representam estratos distintos da experiência humana: a esfera íntima (o poeta e seu mundo interior), a esfera social (o poeta em contato com a sociedade) e a esfera espiritual (o poeta e a sua relação com a Divindade, sob a perspectiva cristã). Não obstante, as três esferas não são excludentes, e se interpenetram. Na obra, elas serviram basicamente como critério para organização dos poemas.
Os poemas seguem por veredas entrecortadas por percepções variadas, assumindo multímodas formas. O leitor atento perceberá a influência dos poetas Mário Faustino (1930/1962) e Alberto da Cunha Melo (1942/2007), pelo estilo de muitas composições.
Particularmente de Alberto da Cunha Melo, percebe-se sua nítida influência nas “retrancas” (forma fixa de poetar por ele criada, com onze versos octassílabos, divididos em quatro estrofes com quatro, dois, três e dois versos respectivamente, geralmente com um par de rimas em cada estrofe), além das renkas, forma poética japonesa que repete os dísticos finais da estrofe precedente na seguinte.
Outros grandes expoentes da poesia em língua portuguesa também serviram de inspiração, como Drummond, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa e Camões. Personalidades são homenageadas em poemas, além do filme “Casablanca” e o livro “Os irmãos Karamazov”, de Fiódor Dostoiévski.
Para que poesia? Novamente Cecília Meireles: “E por perder-me é que vão me lembrando/ por desfolhar-me é que não tenho fim”.
Vendas: http://www.buscape.com.br/da-eloquencia-das-lapides-e-outros-poemas-paulo-ouricuiri-8542808541
Lançamento, pela Editora Novo Século, do livro “A confissão e outros contos cariocas”, de Paulo Ouricuri
“Todos os gêneros de felicidade se parecem, mas cada desgraça tem o seu caráter peculiar”. (Liev Tolstói)
A frase inaugural do livro “Ana Karenina”, de Tolstói, é uma bela epígrafe para os oito contos e crônicas deste livro. Em circunstâncias diversas, por motivos distintos, os personagens da obra sofrem num mundo onde, como diria Sartre, “O inferno são os outros”. Conflitos e frustrações que expõem com nitidez as fraturas interiores de pessoas comuns, que nunca ouviram o conselho de São Josemaria Escrivá: “Chocas com o caráter deste ou daquele...Tem de ser assim necessariamente; não és moeda de ouro que a todos agrade”.
Assim, as relações humanas são o foco principal dos enredos, ambientados na cidade do Rio de Janeiro. Após iniciar o primeiro conto com um breve ensaio sobre o Convento de Santo Antônio e sua História, o autor se entranha no mundo interior e no relacionamento dos personagens, esforçando-se por retratar, na profundidade possível, a experiência humana. Isto porque, nas palavras de Henry James: “A experiência nunca é limitada e nunca é completa; ela é uma imensa sensibilidade, uma espécie de vasta teia de aranha, da mais fina seda, suspensa no quarto de nossa consciência, apanhando qualquer partícula do ar em seu tecido”.
O segundo conto trata das desventuras de um jovem aspirante a poeta. O terceiro relata o estranhamento de um homem num mundo remotamente familiar. Do quarto ao sétimo contos, são postas em evidência as relações afetivas, passando pelas fases da sedução, da paixão, do amor e da desilusão. O último texto é uma crônica sobre um inusitado Papa brasileiro.
As narrativas são fluidas e elegantes, com pitadas de ironia e sarcasmo que lembram os estilos de Machado de Assis, Eça de Queiroz e Tchekhov. Enfim, boas surpresas aguardam o leitor no livro “A confissão e outros contos cariocas”.
Vendas:
https://www.zoom.com.br/livros/a-confissao-e-outros-contos-cariocas-ouricuiri-paulo-9788542808537
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
A Pegada e a Batida da Poesia de Paulo Ouricuri Por Jana Lauxen.
Definir se uma poesia é boa ou ruim é tarefa complicada. Eu acredito que, ou ela bate, ou ela não bate. Ou determinado poema te pega, ou não. E o que bate para mim, pode não bater para você, enquanto o que pega você, talvez seja irrelevante para mim. Isso por que somos pessoas diferentes, com histórias e personalidades também diferentes.
No entanto, determinar se uma poesia possui qualidades gramaticais e literárias – ou não – já não é tão complicado assim. Afinal, percebe-se facilmente quando um autor conhece sua língua pátria, e sabe como aproveitar-se dela, como organizar suas palavras de maneira intensa e expressiva. Nota-se quando o poema não foi simplesmente arremessado no papel, displicentemente e sem cuidado algum; fica claro quando a poesia foi trabalhada, elaborada, aperfeiçoada, repensada. Ou, resumidamente: são notáveis as diferenças entre um autor que possui profundidade e conteúdo, e outro, mais raso e vazio.
E isto independe de nossos gostos pessoais. Um poema que não bateu e nem me pegou pode ter predicados literários indiscutíveis, enquanto outro, mais superficial e talvez até bobo, pode significar muito para mim.
No entanto, recentemente tive a oportunidade de ler uma coletânea de poesias que, em minha opinião, reuniu ambas as características aqui citadas: trata-se de um livro de poemas que me pegou e me bateu, e ainda por cima me ofereceu um conteúdo forte e inteligente, que tornaram a pegada e a batida ainda mais contundentes.
Falo da obra A Poesia nos Poentes do Silêncio, do escritor carioca Paulo Ouricuri, lançada pela Editora Novo Século em novembro de 2014. O livro reúne 60 poemas escritos ao longo do último ano, e aborda assuntos dos mais variados, como a imprevidência, os mistérios, a realidade, o destino, o milagre, as orquídeas, as fotografias, o ontem. E, claro: o silêncio.
Além da pluralidade de temas – tornando improvável que não nos identifiquemos em um determinado momento – é interessante também a pluralidade estrutural dos poemas, fazendo com que tenham um significado único e sensorial para cada leitor.
Aliás, é impossível não perceber a importância e a distinção que Paulo Ouricuri reserva aos seus leitores, que literalmente passam a fazer parte de sua obra, reescrevendo e multiplicando os significados de sua própria poesia. Passando a atuar como protagonista e colaborador direto, torna-se necessário definir o leitor para definir o livro.
O interessante é que Paulo reconhece a grande variedade de sentidos que sua poesia poderá adquirir no momento em que passar a ser consumida por diferentes leitores, cada qual com uma história e uma personalidade diferente. E esta aparente falta de controle, sobre os significados que seus poemas assumirão, não incomoda o autor. Muito pelo contrário. É celebrada por Paulo em cada ponto-final que fica em aberto, como um convite para que o leitor dê sua contribuição ao poema, ampliando seus sentidos e suas definições.
Por tudo isso, recomendo fortemente a leitura do livro A Poesia nos Poentes do Silêncio, do escritor Paulo Ouricuri.
Por que, independente de quais poemas te pegarão, e de quais baterão com força em sua personalidade e em seus sentimentos, o certo é que todos trazem em sua composição e em sua estrutura a beleza e o ritmo que somente poetas intensos e diferenciados são capazes de produzir.
Sobre a autora:
Jana Lauxen é editora, produtora cultural e escritora, autora dos livros Uma Carta por Benjamin (2009) e O Túmulo do Ladrão (2013). Contato: www.janalauxen.com / osdezmelhores@gmail.com
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Lançamento do livro A Poesia nos Poentes do Silêncio Por Jana Lauxen.
“Estou sem palavras”.
Eis uma frase que costumamos proferir sempre que nos sentimos arrebatados por alguma situação, seja ela real, ficcional, ou imaginária. Significa que algo nos tocou de tal forma, que tudo o que dissermos será pouco e pequeno para explicar o que estamos sentindo. É quando o silêncio fala, e seu significado, aparentemente vazio, se amplia, e passa a se comunicar. Sim, o silêncio também é capaz de conversar, e de ter vez e voz.
Foi a partir desta constatação que o advogado e escritor Paulo Ouricuri escreveu seu terceiro livro, A Poesia nos Poentes do Silêncio (Ed. Novo Século), cujo lançamento está previsto para novembro deste ano.
A obra reúne 60 poemas versando sobre questões que permeiam a vida de todos nós, como a esperança, o infinito, o desassossego, o renascimento, a paz, o milagre e a realidade, o ontem e o agora. Uma variedade temática e estrutural tão grande, que se torna impossível não nos identificarmos e, por esta razão, nos conectarmos com a sua literatura.
Paulo Ouricuri, que também é autor dos livros A Triste História do Índio Juca e 50 Sonetos Reunidos, compôs suas poesias de tal forma, que o leitor passa a fazer parte de sua obra, ocupando o papel de protagonista e atuando diretamente sobre o texto, a ponto de ganhar contornos de coautor. Por isso, para definir o livro, é preciso antes definir o próprio leitor.
Paulo Ouricuri sabe da importância do silêncio para apreender e compreender novas formas de perceber o mundo. Afinal, em uma época onde as informações voam na velocidade da luz, e passamos nossos dias permanentemente conectados, sem sequer digerir tudo o que recebemos através da internet e dos meios de comunicação, o silêncio parece cada vez mais renegado e esquecido. Como se não tivéssemos mais tempo para calar, somente para falar e compartilhar, vamos perdendo nossa capacidade de avaliação, de reflexão, e somente consumimos: notícias, palavras, opiniões; sem pensar sobre elas, e sobre o que representam para nós. Assim, muitas vezes superestimamos o que pouco importa, e renegamos o que poderia fazer toda a diferença.
O terceiro livro do escritor carioca Paulo Ouricuri é um convite para reencontrarmos o silêncio através da poesia, uma vez que ela permite expandir nossa visão de mundo, e a forma como vemos e percebemos os outros, de maneira muito mais leve e agradável.
Uma obra que, através da reunião certeira de palavras, busca deixar o seu próprio leitor sem palavras. E consegue.
O lançamento do livro A Poesia nos Poentes do Silêncio será dia 10 de novembro, segunda-feira, a partir das 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Rio Sul (Av. Lauro Muller, 116 – Botafogo – Rio de Janeiro/RJ).
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Editora Novo Século lança e-book do livro "A poesia nos poentes do silêncio", de Paulo Ouricuri
O livro "A poesia nos poentes do silêncio", de Paulo Ouricuri, agora está disponível nas versões física e digital.
O livro tem a seguinte sinopse:
"Como disse o poeta Manoel de Barros em um de seus poemas, é “difícil fotografar o silêncio”. Entretanto, cada verso constitui um repto ao silêncio. Mas o silêncio, que tudo expressa sem nada dizer, é por isso sempre mais eloquente do que qualquer discurso ou poema.
No entanto, quando as palavras se irmanam num poema bem elaborado, a faísca do lirismo esplende, fazendo com que a luz menor transcenda ao escuro maior, como diz o autor Paulo Ouricuri em um de seus versos.
O livro “A poesia nos poentes do silêncio” é uma coletânea de poesias, composta por poemas livres e metrificados. O poeta revela completo devotamento à criação de seus versos, imprimindo neles o refinamento de uma sinfonia executada harmoniosamente. Revivescências, reflexões sobre o lirismo, o amor, homenagens a Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Franz Kafka, todos estes temas estão presentes no livro.
Os poemas podem ser saboreados todos num só dia. Não enjoam nem engordam."
O livro pode ser encontrado nas suas versões física e eletrônica nas maiores livrarias do país.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
A Editora Novo Século lançou em setembro de 2014 o livro "A poesia nos poentes do silêncio", de Paulo Ouricuri, pelo selo Talentos da Literatura Brasileira. Trata-se do terceiro livro de poesias do autor, que antes já havia publicado "A triste história do Índio Juca" (um conto estruturado em poema), pela Editora Biblioteca 24 horas, e "50 sonetos reunidos", pela Editora Multifoco.
No novo livro, o autor demonstra sua versatilidade poética, oferecendo aos amantes de poesia poemas que se irmanam numa obra sedutora, deleitando os leitores ao mesmo tempo que suscita fundas reflexões.
Segundo o autor, a arte acaricia o espírito. Sua poesia sai do silêncio, passeia na nau de um lirismo polifônico que ausculta uma miríade de aspectos da existência humana, até repousar em outro silêncio, o da morte de seu pai, no poema que fecha o livro.
Esplende nos versos do autor uma brutal suavidade, que flui em poemas compostos de versos que evocam desde a religiosidade ("O poema é a hóstia/de um silêncio inconformado"), passando pelo desamparo ("Deixe-me uma lágrima/No seu testamento"), a superação ("Todas as insígnias do bem e do mal/Estão hoje visíveis ao teu juízo/Distintas como o açúcar é do sal") até a desilusão amorosa ("Sei que em algum lugar/Este destino desistiu de acontecer").
O livro pode ser encontrado em diversas livrarias pelo país.
Paulo Ouricuri é advogado. O seu terceiro livro consolida sua presença na nova e promissora geração de poetas nacionais.
domingo, 15 de abril de 2012
A fumaça - Autoria própria
Plantei
Um viveiro de metáforas
Para conter
uma erupção
em minh´alma
Nenhum verso
Sobreviveu
ao toque incandescente
da minha solidão
Nenhuma palavra
vestiu a
realidade desnuda
que passeava diante todos
sem escandalizar
quem quer que fosse
Um caldeirão de desassossegos
foi derramado
sobre o istmo
da verdade
E o lirismo
é a fumaça
daquilo que não pôde
ser dito
Um viveiro de metáforas
Para conter
uma erupção
em minh´alma
Nenhum verso
Sobreviveu
ao toque incandescente
da minha solidão
Nenhuma palavra
vestiu a
realidade desnuda
que passeava diante todos
sem escandalizar
quem quer que fosse
Um caldeirão de desassossegos
foi derramado
sobre o istmo
da verdade
E o lirismo
é a fumaça
daquilo que não pôde
ser dito
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Catilina - Autoria própria
Por que arrotas este maremoto de moralidade
Se são rotos os teus passos?
As rotinas de fuga de tua fama
Estão secas, saberás logo
Nas espigas de ódio que plantaste
Perigaste teu próprio sangue
O esgoto te espera. As tuas rotas
Têm fezes que regarão teu nome
Se são rotos os teus passos?
As rotinas de fuga de tua fama
Estão secas, saberás logo
Nas espigas de ódio que plantaste
Perigaste teu próprio sangue
O esgoto te espera. As tuas rotas
Têm fezes que regarão teu nome
sábado, 31 de março de 2012
Epitáfio - Autoria própria
Alcançaste silencioso como um sopro
Dizendo nada além de um não respiro
Entraste noutro prado sem sair
Uma vez mais para se despedir
Saudade
Pediste apenas para dormir
Adeuses, nem pensar
Ida que fica fincada no sempre
Dizendo nada além de um não respiro
Entraste noutro prado sem sair
Uma vez mais para se despedir
Saudade
Pediste apenas para dormir
Adeuses, nem pensar
Ida que fica fincada no sempre
quinta-feira, 29 de março de 2012
A onda - autoria própria
A sua revolta nasce
Da sua vida
Que rebentou
Súbito
Não teve berço
Nem mãe
É uma ruga nascida
Na face do mar
A sua breve vida
É agitada
Influenciada pelo vento
Pela lua
Segue o destino
Que lhe reservaram
E vai seguindo
Rapidamente, indiferente
Sem receber
Sequer um nome
Mas quando chega
Ao seu destino
Quando desembarca
Arrebenta
E grita!
Jamais lhe ouvirão novamente
Da sua vida
Que rebentou
Súbito
Não teve berço
Nem mãe
É uma ruga nascida
Na face do mar
A sua breve vida
É agitada
Influenciada pelo vento
Pela lua
Segue o destino
Que lhe reservaram
E vai seguindo
Rapidamente, indiferente
Sem receber
Sequer um nome
Mas quando chega
Ao seu destino
Quando desembarca
Arrebenta
E grita!
Jamais lhe ouvirão novamente
domingo, 25 de março de 2012
Dados - Autoria própria
Os dados que se chocam
Reinam e decidem no cassino
As suas faces demarcarão
O destino
São fingidos, e não se sabe
Qual de suas faces é verdadeira
Mentem, enganam, dizem que são três
Escondendo o seis que também são
Dados que adulam
Senhores dos sortilégios
Prometem
Insinuam-se para muitos
Mas apenas poucos recebem
Privilégios
Reinam e decidem no cassino
As suas faces demarcarão
O destino
São fingidos, e não se sabe
Qual de suas faces é verdadeira
Mentem, enganam, dizem que são três
Escondendo o seis que também são
Dados que adulam
Senhores dos sortilégios
Prometem
Insinuam-se para muitos
Mas apenas poucos recebem
Privilégios
quinta-feira, 22 de março de 2012
Escuro - Autoria própria
No escuro se sente
A importância da claridade
Procura-se um facho de luz
Que corrompa a escuridão
E então se vê algo
No intervalo do escuro
Passo a passo, segue-se a trilha
Enquanto a passada é cercada
Por um universo de incertezas
O passo prenuncia
O próximo que não conhece
Um dia, ele lhe será apresentado
Como o prometido da donzela
Não há como dizer não
Não há como lhe negar o bastão
Passo a passo, vem se andando
Na escuridão
E vendo o escuro
Que ameaça, mas protege
Sente-se o passo mais seguro
Com a pouca luz que lhe foi dada
A importância da claridade
Procura-se um facho de luz
Que corrompa a escuridão
E então se vê algo
No intervalo do escuro
Passo a passo, segue-se a trilha
Enquanto a passada é cercada
Por um universo de incertezas
O passo prenuncia
O próximo que não conhece
Um dia, ele lhe será apresentado
Como o prometido da donzela
Não há como dizer não
Não há como lhe negar o bastão
Passo a passo, vem se andando
Na escuridão
E vendo o escuro
Que ameaça, mas protege
Sente-se o passo mais seguro
Com a pouca luz que lhe foi dada
terça-feira, 20 de março de 2012
Sonteilho do falso Fernando Pessoa - Carlos Drummond de Andrade
Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,
eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,
eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
domingo, 18 de março de 2012
Dom Quixote - Autoria própria
E Quixote partiu. Seguiu sem medo.
Orgulhoso exibiu a louca virtude
Co´a virtude soltou os que estavam presos
Dos libertos, só vieram rudes pedras
E o cavaleiro altivo e dissonante
Continuou a caminhada, viu um gigante
Desmascarou o moinho, sutil perigo
O amigo Sancho Pança então estranhou
Via apenas o que os olhos lhe mostravam
E não compreendeu o móbil do combate
Porém, o cavaleiro extemporâneo
Não desistiu. Seguiu. Pois logo adiante
Esperava-lhe a bela Dulcinéia
Cujos encantos só um nobre sentia
Beleza que se esconde até do espelho
Mas que não se apodrece pela carne
E o cavaleiro encontra outro serôdio
Cavaleiro que o vence no caminho
Mas sua triste figura ainda está firme
Vive em livros e em sonhos o herói errante
Orgulhoso exibiu a louca virtude
Co´a virtude soltou os que estavam presos
Dos libertos, só vieram rudes pedras
E o cavaleiro altivo e dissonante
Continuou a caminhada, viu um gigante
Desmascarou o moinho, sutil perigo
O amigo Sancho Pança então estranhou
Via apenas o que os olhos lhe mostravam
E não compreendeu o móbil do combate
Porém, o cavaleiro extemporâneo
Não desistiu. Seguiu. Pois logo adiante
Esperava-lhe a bela Dulcinéia
Cujos encantos só um nobre sentia
Beleza que se esconde até do espelho
Mas que não se apodrece pela carne
E o cavaleiro encontra outro serôdio
Cavaleiro que o vence no caminho
Mas sua triste figura ainda está firme
Vive em livros e em sonhos o herói errante
sábado, 17 de março de 2012
Ubiquidade - Manuel Bandeira
Estás em tudo que penso,
Estás em quanto imagino:
Estás no horizonte imenso,
Estás no grão pequenino.
Estás na ovelha que pasce,
Estás no rio que corre:
Estás em tudo que nasce,
Estás em tudo que morre.
Em tudo estás, nem repousas,
Ó ser tão mesmo e diverso!
(Eras no início das cousas,
Serás no fim do universo.)
Estás na alma e nos sentidos.
Estás no espírito, estás
Na letra, e, os tempos cumpridos,
No céu, no céu estarás.
Estás em quanto imagino:
Estás no horizonte imenso,
Estás no grão pequenino.
Estás na ovelha que pasce,
Estás no rio que corre:
Estás em tudo que nasce,
Estás em tudo que morre.
Em tudo estás, nem repousas,
Ó ser tão mesmo e diverso!
(Eras no início das cousas,
Serás no fim do universo.)
Estás na alma e nos sentidos.
Estás no espírito, estás
Na letra, e, os tempos cumpridos,
No céu, no céu estarás.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Jazigo - Autoria própria
Jaz em mim
Um ser já sido
Sou refém enfim
Por tê-lo perdido
E o tenho assim
Distante e comigo
(De passo em passo
Perde-se a passada
A consumida estrada
O tempo escasso
O passo crasso
O presente devasso
Sempre o mesmo
Sempre a esmo
Sem estada
Sem a hora azada)
Ele e eu, Abel e Caim
Num mesmo abrigo
Fui eu o seu fim
Vivo no seu jazigo
Um ser já sido
Sou refém enfim
Por tê-lo perdido
E o tenho assim
Distante e comigo
(De passo em passo
Perde-se a passada
A consumida estrada
O tempo escasso
O passo crasso
O presente devasso
Sempre o mesmo
Sempre a esmo
Sem estada
Sem a hora azada)
Ele e eu, Abel e Caim
Num mesmo abrigo
Fui eu o seu fim
Vivo no seu jazigo
terça-feira, 13 de março de 2012
Poema de sete faces - Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
domingo, 11 de março de 2012
A nuvem - Autoria própria
A nuvem que esbraveja e chora
Na hora de sua ribalta, consome-se em fúria
Esconde o horizonte sob a asa escura
No âmago de sua força, remota ternura
Em cada gota, um pedaço de si
Um sopro que sai de sua arquitetura
A célula que decai e decompõe a sombra
O batismo da argila no renascimento da água
Na hora de sua ribalta, consome-se em fúria
Esconde o horizonte sob a asa escura
No âmago de sua força, remota ternura
Em cada gota, um pedaço de si
Um sopro que sai de sua arquitetura
A célula que decai e decompõe a sombra
O batismo da argila no renascimento da água
sábado, 10 de março de 2012
Ontem o pregador - Alberto Caeiro (pseudônimo de Fernando Pessoa)
Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer.
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse faze-lo zangar-se.
Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles,
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!
Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.
Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais
Para qual fui injusto – eu, que as vou comer a ambas?
Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.
Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.
Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer.
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse faze-lo zangar-se.
Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles,
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!
Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.
Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais
Para qual fui injusto – eu, que as vou comer a ambas?
Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.
Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.
Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.
quinta-feira, 8 de março de 2012
A duna - Autoria própria
Entre o
ócio e a ação
O fragmento de tempo
Em que o nada sucumbe
Ao algo que se desdobra
Noutra alguma coisa
Que se move doravante
Assim de parado para
O momento do movi-
mento, na busca de
uma outra latitude, u-
ma duna se desloca
e se coloca no ponto
de onde novamente
terá que se deslocar
Deixando atrás de si
uma ausência quan-
do pretendeu renun-
ciar à longitude que
sentia, dali fugiu ao
ouvir o sibilo do ven-
to que sempre a con-
duz do nada ao nada
Mas poderá mesmo ser
nada, se é ao menos
um nome, uma idéia,
se permanece sen-
do ausência, e é e-
lo entre ação
e ócio?
ócio e a ação
O fragmento de tempo
Em que o nada sucumbe
Ao algo que se desdobra
Noutra alguma coisa
Que se move doravante
Assim de parado para
O momento do movi-
mento, na busca de
uma outra latitude, u-
ma duna se desloca
e se coloca no ponto
de onde novamente
terá que se deslocar
Deixando atrás de si
uma ausência quan-
do pretendeu renun-
ciar à longitude que
sentia, dali fugiu ao
ouvir o sibilo do ven-
to que sempre a con-
duz do nada ao nada
Mas poderá mesmo ser
nada, se é ao menos
um nome, uma idéia,
se permanece sen-
do ausência, e é e-
lo entre ação
e ócio?
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