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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estátua - Camilo Pessanha

Cansei-me de tentar o teu segredo:

No teu olhar sem cor, --- frio escalpelo,

O meu olhar quebrei, a debatê-lo,

Como a onda na crista dum rochedo.



Segredo dessa alma e meu degredo

E minha obsessão! Para bebê-lo

Fui teu lábio oscular, num pesadelo,

Por noites de pavor, cheio de medo.



E o meu ósculo ardente, alucinado,

Esfriou sobre o mármore correcto

Desse entreaberto lábio gelado...



Desse lábio de mármore, discreto,

Severo como um túmulo fechado,

Sereno como um pélago quieto.

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